Descobri hoje, ao arrumar a gaveta da comoda, que tenho vernizes para as unhas suficientes para pintar uma estrutura do tamanho do Pavilhão Atlântico. E pior, tenho um baton para cordenar com cada um deles. Quer dizer, gastei eu uma pipa de massa naqueles carrinhos práticos para arrumar a maquilhagem, com compartimentos para colocar cada uma das coisas e quando dou por mim estou precisar de um barril de petróleo só para arrumar batôns e vernizes, um de cada por cada tonalidade reconhecida pelo espectro de cores (e aposto, que algumas ainda por identificar).
-A beleza não é fundamental. -Hum, tá... -A sério, bom é ser uma pessoa porreira, simpática, divertida... -Hum-hum... -Não estás a entender, o importante é ser uma pessoa inteligente, interessante, dada... -Dada eu sou... O que eu não sou é comida.
Ethel: Nas relações o tempo é relativo: um amor eterno chega a durar seis meses.
Evey: (risos) Não, o amor dura para sempre. As pessoas é que dizem amar por tudo e por nada.
Ethel: Como assim?
Evey: Amamos os sapatos novos, os dias de sol, os saldos...
Ethel: (risos) E qual é o mal disso? Eu amo os meus Ferragamos!
Evey: O problema é esse mesmo! Os sapatos novos daqui a uns tempos ficam velhos e atiramo-los para o fundo do armário. Ou passam de moda e todo o dinheiro que gastamos neles nos parece um desperdício.
Ethel: Pois, acho que nisso tens razão, as relações às vezes são como os sapatos. Por mais que magoem os pés continuamos a andar com eles porque são lindos e nos sentimos fantásticas com eles mas no final do dia restam só as dores nos pés.
Evey: Não acredito que estamos a comparar o amor a sapatos (risos). Não podes ser assim tão reducionista, as coisas não são assim tão simples. O amor não é linear.
Ethel: Tu é que começaste!! (risos)
Evey: Não, eu disse que dizer que amamos coisas que se estragam, se partem, se perdem é que dá uma ideia errada do amor.
Ethel: uhuu, lá estás tu... (risos) Agora eu não amo os meus sapatos, é isso?
Evey: Não podes amar algo que te pertence.
Ethel: O amor é isso mesmo, desejo de posse.
Evey: O amor é uma necessidade de entrega.
Ethel: Necessidade que o outro se entregue, isso sim.
Evey: Também... Mas não por posse mas porque se deseja uma unificação por inteiro.
Ethel: Perdi-me completamente desse teu raciocinio (risos)
Evey: Olha, às vezes é bom baixar as defesas e deixar que te tenham na mão. Por o medo de lado, amar e deixar que te amem.
Ethel: Para ser atirada para o fundo do armário...
Evey: (risos) Sim, às vezes é o que acontece.
Ethel: As pessoas relacionam-se porque têm medo de ficar sozinhas, têm pavor da solidão.
Evey: (risos) Então estás aqui comigo porque não gostas de estar sozinha?
Ethel: Também... Nenhuma relação é completamente desinteressada. Esperamos sempre algo em retorno, seja amizade ou amor.
Evey: Agora fui eu que me perdi... Como assim?
Ethel: Esperamos sempre algo de quem nos relacionamos. Esperamos que retribuam, que nos apoiem, nos façam companhia... Nem que seja para nos sentirmos úteis, o altruismo é uma utopia.
Evey: Às vezes só queremos fazer outra pessoa feliz!
Ethel: Nem que seja para depois nos podermos lamentar da nossa própria infelicidade e afogar em auto-piadade, nãoé?
Evey: Sim, de certa forma, concordo contigo...
Ethel: Vês? Essa de amar para sempre incondiconalmente é um conto de fadas que te metem na cabeça (risos). O amor é uma fuga à solidão.
Evey: Ui, de onde é que isso saiu agora? (risos)
Ethel: O amor é uma desculpa. Desculpa para se casarem e ficarem o resto dos dias a suportarem-se um ao outro só para não estarem sozinhos.
Evey: Isso não é amor, é cobardia. Amar exige coragem!
Ethel: Coragem? (risos)
Evey: Sim, coragem para ficar sozinha se um dia a pessoa que amamos for embora.
Ethel: Oh, ai procura-se outra para amar e o ciclo continua.
Evey: É isso que não entendes... O amor acontece, não se procura, não se econtra. Preenche-te um vazio que nem sabias que tinhas.
Ethel: (risos) Cala-te.
Evey: (a cantar) Love is a many splendored thing
Ehtel: Cala-te!!!!! (risos)
Evey:(ainda a cantar) Love lifts us up where we belong, all you need is Love
Ethel: (risos descontrolados) Cala-te!!
Evey:(a cantar e a estalar os dedos) All you need is Love...
Ethel: (entre risos tapa a boca de Evey com a mão) Traga-me a conta por favor!
Evey: (em plenos pulmoes articulando por baixo da mão de Ethel) ooooll iuu nniiiid is wooovee tuff tu tu ru tuufff
No carro com o irmão de uma amiga minha que me deu boleia, ele a falar sobre o panorama político português quando eu tento falar sobre o facto presidente do Governo da Madeira andar a falar em criar um novo partido.
Ele - Oh, não fales do que não sabes! Eu - Desculpa?! Ele - Tens o que, 17 anos? Eu - 19. Ele - Se te visse na rua dava-te uns 17. Eu - E daí? O que que isso tem a ver? Ele - E daí que tens idade para ser minha filha, não percebes nada de política.
Normalmente não me importo que me substimem, fica a carta guardada na manga para quando preciso dela, mas há alturas em que os insultos à minha inteligência me revoltam profundamente.
Sou nova, sou infantil. Sou mulher, não sei conduzir (e muito menos trocar um pneu!). Sou gira, não tenho nada na cabeça. Pior que tudo isso, tenho um fraquinho por sapatos e lenços o que me torna numa miúda fútil cuja vida gira em torno do roupeiro.
Talvez tenham razão e eu seja mesmo infantil. Quando me dizem estas coisas, uma boa parte de mim quer meter os dedos nos ouvidos e berrar bem alto e repetidamente "NÃO TE ESTOU A OUVIR!".
Depois da aula de Yoga, nos balneários a trocar de roupa, reparo que a miúda que fica sempre no tapete ao lado do meu tem a roupa interior igual à minha e comento com ela a coincidência.
Eu - Mas a etiqueta não te faz comichão? Ela - Faz mas eu nunca as corto. Eu - Hum? Porquê? Ela - Para se notar que é original.
Ora bem... Tendo em conta que a lingerie para mim é como os enfeites dos bolos, não se come mas deixa com água na boca e aguça a vontade de comer, expliquem-me, por favor, qual é o homem que ao ver a jovem quase nua olha para as etiquetas?! Aliás, quem é a jovem que quer ser vista quase nua por um homem que sabe a diferença entre um sutien"la perla" e um "la senza"?! Para mim todo o homem que veja algo mais do que "preto e semi-transparente" já começa a ser duvidoso.
H. - Há alturas em que me fazes querer não ser gay.
El Poso é LINDO! Aaah... entretando não há fotos pois uma certa e determinada desastrada - Um rebuçado para quem adivinhar quem foi - deixou cair a camera ao chão e estragou a lente. Pode ser que, com sorte, encontremos por ai uma daquelas descartáveis... Até agora, nada mal. Partiu-se uma digital, fez-se uma lasca na preciosa viola de um dos rapazes que chorou o resto do caminho como um bebé por conta disso (Deixa-te de tretas, P. isso é só verniz!) e deixou-se um saco com as peúgas (as minhas e da Eveyl) na estação de serviço (deviam ver a cara das espanholas a olharem para as nossas perninhas revestidas com meias com diabos no pinanço, caridosamente cedidas pelos rapazes do grupo - acreditem, era isto ou meias com raquetes).
Até agora, barrigadas de riso, bastante fominha e uma valente dor de costas pois, parecendo que não estou a ficar velha para carregar 18kg às costas encosta acima, ecosta abaixo num total de 17km (mas que a paisagem vale todo o esforço, vale).
Entretanto, dormimos numa cama hoje. Todos na mesma, que isto não há dinheiro para esquisitisses. E a cara dos espanhóis quando se lhes pede um quarto para cinco pessoas alegando que somos um casal também é digno de nota.
Ethel: Precisamos de um quarto para cinco pessoas. Atendente: Cinco quartos? Ethel (com alguma dificuldade): Não, não! Todos juntos. Atendente: Cinco? Cinco pessoas, dois casais, um solteiro? Só temos quartos para casais e para solteiros.
Evey: Sir, nós os cinco somos um casal. Todos. Queremos dormir todos juntos. Atendente: Cinco pessoas? Evey: Cinco pessoas. Um quarto. Cama graaande. Atentende: Cinco pessoas... Uma Suite? Evey: A mais barata. Atendente: Casal... Os cinco? Evey: Sim, somos swingers. Atendente: Aqui está a chave, senhora. Senhoras. Senhores... (em voz muito baixa) Mierda!
(Nota para os comichosos de serviço, a conversa original foi em inglês e traduzimos livremente, mantendo-se no entanto o mesmo rumo da conversa original)
E desengane-se quem pense que somos o casal mais estranho que por aqui pára porque isto é mesmo um hotel manhoso na parte velha de Santa Marta de Tormes em que se alugam quartos à hora.