Gosto de andar descalça. Mesmo que seja no Parque das Nações.
Gosto de rebolar pelos montes de relva a baixo mesmo que me olhem de lado.
Gosto de fingir que os montes são navios piratas e depois fazer a espargata e fingir que são um cavalo.
De abraçar as árvores, de fazer caretas, de me sujar sem remorsos, de almoçar apenas gelado, de cantar
Hakkuna Matatta e troco qualquer tarde num shopping por uma tarde em baixo da árvore a ver as crianças brincar.
Não precisam lembrar-me que tenho 19 anos e tenho idade para ter juizo porque cada vez que dizem isso mais me fazem acreditar que se alguém é doido no meio disso tudo não sou eu.
Não insistam, não vale a pena.
Vou continuar a gastar mais dinheiro na comida da minha gata que na minha alimentação.
Vou continuar a achar que uma música, uma carta, um desenho são muito mais importantes que qualquer prenda comprada numa joalharia.
E prefiro Capprisonne de tutti-frutti a qualquer vinho.
E, acreditem ou não, sei o que faço.
E, acreditem ou não, gosto de ser assim.
Por isso parem de me tentar consertar que eu não estou estragada.
Não insistam.
Eu estou-me a borrifar para os carros, para as casas, para as prendas caras, para os restaurantes
in.Por isso, da próxima vez que tentarem falar comigo é bom que o assunto seja política, filosofia ou da Chuva de meteoros Perseídas.
Não podemos fazer algo corrupto e continuar incorruptos. E não me obriguem a repetir-me.